A terceira vaga do TSUNAMI

Desde 2007 chamámos a atenção ao poder político nacional e europeu, que o aumento da quantidade de leite produzido na europa não vai ser uma aterragem suave para o final da quotas em 2014, mas sim uma “amaragem” num mar de leite. Só no ano de 2011 verificou-se um acréscimo de produção na europa, relativamente a 2010, em quatro vezes a produção de Portugal. Esta tendência de subida da quantidade produzida já se verifica há anos consecutivos.
Os problemas na produção em Portugal começaram a agudizar-se com o aumento significativo do custo de produção, sobretudo da alimentação animal, que apelidamos de “primeira vaga”. A descida do preço do leite ao produtor, no início do ano, foi a “segunda vaga” e a última descida, neste mês, é a “terceira vaga”, deste mar de leite, transformado em “tsunami” que está a arrasar a produção.

Precisamos que os políticos nacionais tenham intervenção em Bruxelas, de forma persistente e forte, para parar o aumento de produção europeia, que está a impor este baixo preço à produção, e que sejam capazes de agir também para controlar a especulação no mercado de matérias-primas para alimentação animal; Precisamos que a PARCA produza efeitos rapidamente, porque relatórios analíticos por si só não resolvem este problema; Precisamos que Industria e Distribuição queiram a produção como aliado comercial e parceiro sustentável para o longo prazo e não como um parente pobre que pode sobreviver assim eternamente; Precisamos de preços que permitam instalar e manter na actividade agrícola os jovens agricultores. Precisamos que entidades como o Observatório dos mercados agrícolas analisem a situação real de todos os produtos e tendências e tornem públicos esses estudos…
Precisamos parar as sucessivas vagas deste “tsunami” e controlar o nível deste “mar de leite” no espaço europeu. A Direcção da AJADP. 21-6-2012

13.06.2011: COMUNICADO SOBRE O PAPEL DOS JOVENS NO FUTURO DA AGRICULTURA:

1. A AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, saúda o apelo do Senhor Presidente da República para que Portugal apoie a agricultura e a instalação de jovens agricultores e espera que esse apelo tenha resposta efectiva dos governantes na análise célere dos projectos de instalação e no pagamento atempado dos compromissos assumidos, não esquecendo também os jovens agricultores já instalados que precisam de investir para melhorar as suas explorações agrícolas.
2. Os jovens agricultores esperam que este e outros apelos ao consumo de produtos agrícolas portugueses tenham resposta efectiva da parte das grandes superfícies comerciais, que promovem eventos de “apoio à produção nacional” ou inundam a comunicação social com anúncios do “melhor de Portugal” mas, por exemplo, continuam a importar leite para as suas marcas brancas e a pressionar os fornecedores portugueses para obter descontos pelo que não ainda se registou qualquer aumento aos produtores, que perdem dinheiro todos os dias, com preço do leite abaixo da média comunitária há cerca de um ano e custos elevados com rações, combustíveis, adubos e outros factores de produção. Não é possível valorizar a agricultura portuguesa sem valorizar os seus produtos num preço justo, que compense os custos de produção e remunere o trabalho dos agricultores.
3. Este apelo do Senhor Presidente da República é também um desafio para uma maior participação dos jovens nas organizações agrícolas, não apenas nas associações juvenis do sector mas também nas cooperativas e associações de agricultores, o que exige da parte dos mais velhos abertura para renovar e ceder o lugar para inserir jovens nas estruturas dirigentes. Não bastam palavras de circunstância, é preciso dar voz e vez aos jovens agricultores para que possam construir o futuro.

13 de Junho de 2011
A Direcção da AJADP

8.1.2010 - COLÓQUIO SOBRE A CRISE NA PRODUÇÃO DE LEITE

A AJADP, Associação dos Jovens Agricultores do Distrito do Porto, vai organizar no dia 8 de Janeiro de 2010, Sexta-feira, pelas 14 horas, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um Colóquio subordinado ao tema: “Produção de leite: crise actual e perspectivas de mercado”, com intervenção prevista de dois técnicos oficiais de contas e dois peritos no mercado de lacticínios. Esperamos a participação de três centenas de agricultores.
Esta actividade, que conta com o apoio da Caixa de Crédito Agrícola de Póvoa de Varzim, Vila do Conde e Esposende e ainda de diversas empresas comerciais do sector, é a primeira iniciativa da AJADP em 2010 na luta para vencer a crise na produção de leite, marcada por preços ao produtor abaixo dos custos de produção. No último trimestre de 2009 registou-se uma ligeira subida do preço, mas insuficiente para que equilibrar as contas das explorações agro-pecuárias da região.
Na primeira parte do colóquio, com a intervenção dos Técnicos de Contas, pretendemos analisar a situação económica das explorações leiteiras para termos uma visão objectiva das dificuldades e comparar as estratégias adoptadas pelos agricultores para enfrentar a crise. Na segunda parte, queremos discutir a actual situação no mercado de lacticínios, as perspectivas para o futuro próximo e também ver como poderemos dirigir a nossa intervenção no sentido de atingirmos rapidamente um preço justo para a produção de leite.

7 Dezembro - 2009 - Pagamento das ajudas "RPU" já começou, mas quando estará concluído?

No passado dia 2 de Dezembro, O IFAP, Instituto de Financiamento da Agricultura e pescas, efectuou o pagamento de ajudas do RPU – Regime de Pagamento Único relativas ao ano de 2009. Não foi a antecipação prometida para Outubro, mas “mais vale tarde do que nunca”.
Contudo, há muitos agricultores que nada receberam, provavelmente porque foram sorteados para o “controlo” que ainda não foi efectuado ou registado. Dizemos “provavelmente”, porque não foram informados, nem tem sido possível ligar para o IFAP, talvez porque serão muitos a tentar obter justificação para a ausência de pagamento.
Por uma questão de justiça, o Estado que nos cobra juros ao menor atraso no pagamento de impostos não pode continuar a atrasar um ano o pagamento dos compromissos assumidos. Além de justo, esse pagamento é urgente para muitas explorações agrícolas que ainda não receberam qualquer ajuda num ano particularmente difícil. No caso dos produtores de leite, as poucas ajudas anunciadas apenas serão pagas em 2010. Por isso, consideramos muito importante que todos os agricultores recebam aquilo a que têm direito o mais rápido possível. Nesse sentido, a AJADP vai desenvolver contactos para que esta injustiça acabe rapidamente.
Por outro lado, vamos desenvolver outras iniciativas para ultrapassar a crise na produção de leite, porque o aumento do preço à produção, muito ligeiro, ainda não é suficiente para cobrir os custos de produção. Cada vez é mais evidente a necessidade de regulação do mercado, mantendo as quotas leiteiras e aumentando a vigilância na relação entre produtores, indústria e distribuição.
Vairão, 7 de Dezembro de 2009
A Direcção da AJADP

6-11- RPU 2009 - Uma data e muitas dúvidas!

O IFAP, Instituto de Financiamento da Agricultura e Pescas, anunciou finalmente a data prevista para o pagamento das ajudas do RPU – Regime de Pagamento Único de 2009, que será a semana de 30 de Novembro a 4 de Dezembro. É uma notícia positiva, apesar de não ter sido cumprida a promessa desse pagamento “a partir de 16 de Outubro”, o que apenas aconteceu nos países vizinhos.
Contudo, o breve comunicado publicado no site do IFAP deixa algumas dúvidas que consideramos urgente esclarecer:
Vai ser efectuado apenas o pagamento de 70% da ajuda, cuja antecipação tinha sido anunciada pelo ministério da agricultura “a partir de 16 de Outubro”, ou vai ser feito o pagamento na totalidade, uma vez que estaremos já no período normal de pagamento, a partir de 1 de Dezembro?
Caso ocorra apenas o pagamento de 70%, quando será paga a restante ajuda? Seria importante ser efectuada ainda em 2009, porque são verbas necessárias num ano particularmente difícil para muitos agricultores, nomeadamente os produtores de leite que não receberam ainda nenhuma ajuda em concreto, além de promessas para 2010. Importa também recordar que são verbas relativas à campanha de 2009 e devem ser incluídas na declaração fiscal relativa a este ano;
Vai ser feito o pagamento a todos os beneficiários ou ficam para as “calendas gregas” os milhares de agricultores que forem sorteados para controlo, como aconteceu nos últimos anos? Tendo as candidaturas sido feitas até Maio, o Ministério da Agricultura já devia ter feito os controlos necessários; Infelizmente, parece haver centenas (ou milhares?) de agricultores que ainda não receberam as ajudas de 2008. Quando terminará esse calvário do controlo de 2008? Quando será pago o rpu de 2009 aos “felizes contemplados” no controlo deste ano? Porque é que são os agricultores a pagar pela incompetência do Estado? Em concreto, que vai mudar no Ministério da Agricultura para acabarem estes atrasos vergonhosos?
Vairão, 6 de Novembro de 2009
A Direcção da AJADP

4 DE OUTUBRO 2009 - PRODUTORES DE LEITE PRECISAM DE AJUDA URGENTE

PRODUTORES DE LEITE PRECISAM DE AJUDA URGENTE
Face à crise que se agrava na produção de leite com explorações a fechar diariamente, a AJADP espera que a reunião extraordinária dos Ministros da Agricultura dia 5 de Outubro em Bruxelas não seja apenas uma “troca de impressões”, como deseja a Comissária Mariann Fischer-Boel, mas uma reunião de onde surjam medidas urgentes de apoio ao sector e se preparem as bases para um sistema de regulação do mercado após o final das quotas leiteiras. Para isso, esperamos que a representação portuguesa continue do lado certo da batalha, como esteve pela primeira vez a 7 de Setembro.
É importante explicar que o silêncio dos produtores de leite portugueses nas últimas semanas não se deveu a nenhuma melhoria da situação mas apenas à falta de tempo, uma vez que estiveram absorvidos com o intenso trabalho das colheitas, sobretudo a ensilagem do milho (base da alimentação das vacas leiteiras) e terão agora pela frente a sementeira das forragens a colher na próxima Primavera.
É preciso referir também que colheitas e sementeiras, além de muitas horas de trabalho, representam elevadas despesas que a maioria dos produtores não está em condições de suportar. Por isso, será muito importante que o Ministério da Agricultura, tal como foi autorizado e recomendado por Bruxelas, pague a 16 de Outubro o famoso RPU, Regime de Pagamento Único, que, embora insuficiente, será um balão de oxigénio que pode aliviar a tesouraria de muitas empresas agrícolas até que surjam outras ajudas ou medidas que coloquem o preço do leite ao produtor num patamar que pague os custos de produção. É preciso lembrar que estas ajudas foram criadas para compensar a perda de rendimento dos agricultores e nunca foram tão necessárias como este ano. Mais do que linhas de crédito de acesso difícil que iludem e adiam os problemas, precisamos de ajudas concretas e imediatas.
Lamentavelmente, não houve até agora da parte do Ministério da Agricultura ou do organismo responsável pelo pagamento das ajudas, o IFAP, qualquer indicação ou garantia desse pagamento. É fundamental apressar esse processo e informar correctamente os agricultores (e os seus credores) que esperam e desesperam por melhores dias.
Vairão, 4 de Outubro de 2009
A Direcção da AJADP

28 DE SETEMBRO 2009 - PROPOSTAS PARA AS AUTARQUIAS

COMUNICADO:
10 PROPOSTAS PARA A ACTUAÇÃO DAS AUTARQUIAS NO DESENVOLVIMENTO DA AGRICULTURA:

Passadas as eleições europeias e legislativas, onde poucos deram atenção à agricultura, fazemos um apelo aos partidos e candidatos independentes para que tenham presente a agricultura na actual campanha e no futuro mandato.
A agricultura tem sido tratada como parente pobre da economia nacional, devido à sua baixa contribuição directa para o Produto Interno Bruto (4%); Contudo, este sector indirectamente contribui para 25% do PIB porque antes e depois das explorações agrícolas há milhares de empregos e empresas que também dependem da agricultura. A nossa actividade ocupa 80% do território, preserva a paisagem rural e, acima de tudo, produz os alimentos que todos precisam para sobreviver, qualquer que seja a sua opção política. Portugal tem registado um aumento da dependência alimentar do exterior, mas é possível reduzir essa dependência, produzindo mais e melhor, ocupando a terra e a população.
Sabemos que por vezes os autarcas deixam a agricultura para segundo plano, atribuindo a responsabilidade pelo sector ao Ministério da Agricultura ou a Bruxelas, onde se decide a PAC, Política Agrícola Comum. Efectivamente, as autarquias não são responsáveis pela política nacional ou comunitária, mas, a nível local, podem adoptar uma atitude positiva e activa relativamente ao sector agrícola. Assumindo a nossa missão de representar os agricultores, entendemos tornar públicas um conjunto de medidas que os futuros autarcas poderão implementar para desenvolver a agricultura e o meio envolvente:
1. Um regime especial para licenciamento das construções agrícolas, simplificado nos procedimentos, com isenção de taxas de urbanização para as construções existentes e uma taxa reduzida para as novas construções;
2. Discriminação positiva nos vários impostos municipais e nas percentagens dos impostos nacionais a que as autarquias têm direito;
3. Acesso à terra: Para disponibilizar terra aos jovens que se pretendam instalar na agricultura ou aos agricultores instalados que desejem aumentar a exploração agrícola, as autarquias podem disponibilizar terras de que seja proprietárias; Além disso, podem promover o “arrendamento rural” como forma de ocupar terrenos incultos, criando uma “bolsa de oferta e procura para arrendamento” e também aumentar o imposto municipal para os proprietários que recusem arrendar e tenham os terrenos incultos;
4. Sugerimos a criação de um prémio monetário para jovens que se instalem na agricultura, atribuído anualmente a todas as novas instalações ou, através de concurso, premiando os projectos mais inovadores e sustentáveis do ponto de vista económico e ambiental, de modo a premiar os melhores e promover os bons exemplos;
5. Uma grande ajuda pode ser dada na promoção dos produtos agrícolas, facilitando a sua comercialização, colaborando com as cooperativas agrícolas e organizações de produtores já existentes ou apoiando a realização de feiras e exposições para a venda directa desses produtos;
6. É também muito importante sensibilizar as superfícies comerciais, nomeadamente as grandes superfícies, para a comercialização dos produtos agrícolas da região; Isto deve ser uma exigência no processo de licenciamento de novos estabelecimentos;
7. A Limpeza, pavimentação e alargamento dos caminhos rurais e florestais são essenciais para a nossa actividade;
8. A limpeza dos cursos de água, da sua vegetação, lixo e tratamento dos esgotos é fundamental para a utilização da água para rega;
9. As autarquias podem ainda apoiar a formação e informação dos agricultores, tanto a nível geral (por exemplo, com o programa “novas oportunidades”) como na formação técnica específica da actividade;
10. O poder local pode facilitar a comunicação entre o sector agrícola e a sociedade envolvente, através da exposições temáticas e visitas das escolas a explorações agrícolas, para que as crianças descubram a origem dos alimentos e valorizem o trabalho dos agricultores.
Vamos enviar estas propostas aos candidatos da nossa região, entregá-las em mão sempre que possível e estaremos disponíveis para dialogar e colaborar com os eleitos no desenvolvimento das medidas propostas.
Vairão, 28 de Setembro de 2009
A Direcção da AJADP

7 DE SETEMBRO - DESILUDIDOS MAS VIGILANTES

ESTAMOS DESILUDIDOS MAS SEGUIREMOS VIGILANTES
Depois de reunirmos centenas de produtores de leite na vigília de ontem à noite no Porto, junto ao Castelo do Queijo, queremos hoje manifestar a nossa desilusão quanto aos resultados do Conselho de Ministros da Agricultura em Bruxelas, uma vez que nada de concreto ficou decidido e a grave crise que o leite atravessa exige medidas urgentes.
Registamos como positiva a evolução do Ministro da Agricultura português, que finalmente assumiu as posições defendidas pelas organizações agrícolas portuguesas quanto à suspensão do aumento das quotas leiteiras e à necessidade de evoluirmos para uma regulação do mercado a nível europeu que garanta um preço justo à produção. Esperamos que essa posição não seja sol de pouca dura e que se mantenha nas próximas reuniões que deverão ser decisivas. Esperamos igualmente, em coerência com essa posição, que a nível nacional passemos da publicidade repetida de paliativos para decisões concretas e urgentes. A alteração da linha de crédito hoje anunciada é positiva mas insuficiente, tanto no prazo de empréstimo como nas condições de acesso, que não são alteradas e têm impedido a candidatura dos agricultores com mais necessidade de ajuda.
Por último, enquanto não se resolvem as coisas a nível europeu, importa reforçar a atenção no mercado interno à relação entre a Indústria e Distribuição. Anúncios de acordos simbólicos de encomendar trezentos mil litros por mês (a produção de uma vacaria com 350 vacas) para uma cadeia de supermercados, onde representa uma percentagem minúscula do consumo mensal, não nos convencem enquanto virmos as prateleiras cheias de leite polaco, francês ou espanhol. Por todo o país, os produtores de leite estão atentos, a visitar regularmente os supermercados e a aguardar que neste âmbito a situação evolua positivamente para a produção nacional, sob pena de serem infrutíferos os apelos que temos vindo a fazer aos consumidores de forma moderada e termos de ceder aos muitos agricultores que estão revoltados, desiludidos e convencidos que apenas seremos respeitados quando tomarmos posições de força, semelhantes às registadas noutros países europeus.
Vairão, 7 de Setembro de 2009
A Direcção da AJADP

6 DE SETEMBRO - DEFENDER O LEITE PORTUGUÊS, DEFENDER PORTUGAL

DEFENDER O LEITE PORTUGUÊS, DEFENDER PORTUGAL
No próximo Domingo, 6 de Setembro, entre as 20h00 e as 24h00, na cidade do Porto, em frente ao Castelo do Queijo, vai decorrer uma vigília de Produtores de Leite sob o lema “Defender o leite português, defender Portugal”.
Decidimos organizar esta vigília na véspera do Conselho Extraordinário de Ministros da Agricultura da União Europeia que vai acontecer em Bruxelas a 7 de Setembro, para discutir a crise no sector do leite. Com a nossa presença junto ao Castelo do Queijo, um símbolo histórico da defesa da cidade do Porto e da soberania portuguesa, queremos enviar uma mensagem muito clara ao Ministro da Agricultura, lembrando-lhe a responsabilidade que assume ao representar o Estado Português nesta negociação. Esperamos que tenha coragem de assumir frontalmente uma posição que defenda os interesses do nosso país e as posições veiculadas pelas diversas organizações do sector. Esperamos também que tenha o apoio necessário do Primeiro-Ministro, que não costuma dedicar muita atenção à agricultura.
Vamos manifestar-nos na noite escura, porque negras são as perspectivas dos produtores de leite. Vamos acender mil velas, em representação dos milhares de agricultores e dos cem mil portugueses que directa e indirectamente dependem do leite. Não queremos fazer o velório da agricultura portuguesa, queremos dar esperança aos produtores e iluminar o caminho ao Governo e à Comissão Europeia.
Portugal produz neste momento leite suficiente para alimentar a sua população e garantir a soberania alimentar neste sector. Esta situação pode alterar-se devido à crise de preços baixos que afecta a produção, se não forem tomadas medidas urgentes. Os excedentes que inundam o mercado português abaixo dos custos de produção provêm de outros países europeus. Esta é uma crise com dimensão europeia e deve ser encontrada uma solução a nível europeu.
A Comissária Europeia da Agricultura, com a sua teimosia na liberalização do mercado através do fim das quotas leiteiras, tem muita responsabilidade na actual situação. É ocasião de perguntar: de que vale ter um português na Presidência da Comissão Europeia, se a Comissária teima em defender uma política neoliberal que interessa apenas aos países do Norte da Europa?
As soluções que defendemos são:
Uma ajuda de emergência aos produtores de leite, a nível europeu, porque a proposta da Comissão de atirar a responsabilidade desses apoios para os estados membros deixa os produtores de leite portugueses em clara desvantagem face aos colegas europeus, tendo em conta as dificuldades económicas do país e o pouco interesse do actual governo pelo sector.
O congelamento do aumento das quotas leiteiras, baptizado por “aterragem suave” mas que na prática, como atempadamente avisámos, se transformou numa inundação de leite;
A continuação do sistema de quotas leiteiras após 2015 ou a sua substituição por outro mecanismo de regulação que ajuste a produção às necessidades do mercado europeu garantindo um preço justo para a produção de leite;
A regulação do mercado europeu em termos de relação produção - indústria – distribuição, pois têm sido apontados em toda a Europa, inclusive pelo parlamento europeu, inúmeros abusos por parte das cadeias de distribuição e é reconhecido que quem sofre são sempre os produtores.
Esta vigília é mais um esforço para os produtores de leite após sucessivas manifestações, numa altura de intenso trabalho na agricultura, mas sentimos a responsabilidade de alertar para a gravidade da actual situação. Estamos a fazer a nossa parte. Que outros assumam também as suas responsabilidades.
Vairão, 4 de Setembro de 2009
A Direcção da AJADP

GOVERNO ESTÁ A COLHER O QUE SEMEOU, MAS OS PRODUTORES DE LEITE É QUE PAGAM!

A AJADP apresentou ao Governo, de viva voz, as preocupações dos seus associados e de produtores de Leite do todo o país com os quais mantém contactos permanentes. O diagnóstico e as soluções apresentadas reafirmaram as posições que a Associação tornou públicas ao longo dos últimos meses e estão em sintonia com as posições das restantes organizações representativas do sector.
O extenso rol de medidas que sugerimos a nível nacional e europeu podem sintetizar-se em três pontos: 1) Ajuda financeira de emergência aos produtores; 2) intervenção no mercado, junto da distribuição, para garantir o escoamento da produção nacional a preço justo, que cubra os custos de produção; 3) Posição firme na União Europeia pela continuação das quotas leiteiras e pela sua regulação flexível de acordo com as necessidades do mercado Europeu.
Aceitamos reunir com o Governo na convicção de que daríamos o nosso contributo num amplo debate com a presença de todas as organizações do sector; Lamentamos que tal não tenha acontecido e consideramos que o Ministro da Agricultura, com as suas declarações, atitudes e omissões foi responsável por este resultado.
Se o Ministro da Agricultura continuar passivo perante a gravidade da situação em que se encontram os produtores de leite, terá se ser também responsabilizado pela contestação que vai continuar na rua, cada vez com mais força e indignação.
Vairão, 27 de Agosto de 2009
A Direcção da AJADP

14-8-2009 - A 14 DE AGOSTO, O LEITE VAI À PRAIA

A 14 DE AGOSTO, O LEITE VAI À PRAIA

Dia 14 de Agosto, Sexta-feira, numa iniciativa dos jovens agricultores, com o apoio de várias organizações agrícolas, a luta dos produtores de leite vai da terra ao mar. Assim, pelas 11h30, teremos uma concentração de tractores antigos nos terrenos do futuro parque da cidade da Póvoa de Varzim, junto à rotunda que liga a Avenida do Mar (a primeira vindo da A28) ao Modelo e à Clipóvoa. Depois, a partir das 14 horas, realiza-se um desfile descendo até à praia e seguindo pela marginal até ao Castelo de Vila do Conde, regressando pelo mesmo percurso.

Em tempo de férias (que os produtores de leite não podem gozar) vamos ao encontro dos veraneantes tendo como primeiro objectivo agradecer publicamente aos portugueses que ouviram o nosso apelo e estão a consumir leite e produtos lácteos de origem nacional e agradecer também aos comerciantes que vendem e promovem os nossos produtos.

Por outro lado, queremos renovar a mensagem de “comprar português, cumprir Portugal”, porque o futuro dos produtores de leite e milhares de postos de trabalho em toda a fileira dependem do consumo de leite nacional, ao passo que a importação de sobras de leite a preço de saldo serve apenas o interesse de meia dúzia de portugueses.

A concentração e desfile dos tractores antigos, sendo uma inovação em “manifestações agrícolas”, é também a forma de transmitir várias mensagens: Explicar que a nossa situação é insustentável, porque estamos a receber o pagamento do leite ao preço de há 20 anos, quando os custos de produção eram muito inferiores; Lembrar que Portugal tem a agricultura mais envelhecida da Europa e apesar disso estivemos 4 anos sem receber apoios à instalação de jovens agricultores e aqueles que apresentaram projectos estão sem resposta há um ano ou com resposta negativa, em particular no caso do leite. E mostrar que a agricultura tem uma história, tem um passado, atravessa dificuldades mas pode ter futuro porque há jovens dispostos a trabalhar no sector mas precisam da colaboração dos consumidores, do comércio e do Governo.

Lamentavelmente, do Governo só tivemos orelhas moucas e promessas vãs. Não apoiou o investimento, aceitou o fim das quotas leiteiras e o seu aumento progressivo que lhe tiram valor imediato, ignorou os primeiros sinais de crise no sector, abriu uma linha de crédito que não serve a quem mais precisa e anunciou agora uma pequena ajuda sem dizer quando nem como a vai pagar. Por isso a revolta dos agricultores é cada vez maior e a luta vai intensificar-se até que o Governo perceba a gravidade da situação.
A Direcção da AJADP

31-7-2009 - PREÇO JUSTO PARA A PRODUÇÃO DE LEITE

PREÇO JUSTO PARA A PRODUÇÃO DE LEITE! (Comunicado conjunto com outras organizações agrícolas)
A situação na produção de leite é cada vez mais dramática. Apesar de todas as manifestações públicas já realizadas, poucos resultados conseguimos. Por isso, desta vez os produtores de leite convidam a comunicação social para vir ao terreno, conhecer a realidade de uma vacaria. Trata-se da Casa Agrícola Martins da Póvoa, em Vilar do Pinheiro, Vila do Conde, uma sociedade agrícola fundada em 2003 por dois irmãos, jovens agricultores, que investiram num estábulo novo para produzirem leite de qualidade com boas condições para os animais e são agora confrontados com um preço abaixo dos custos da produção das suas 70 vacas, quase 2000 litros por dia. De facto, diversas empresas de lacticínios comunicaram novas baixas de preço ao produtor, menos 2 a 3 cêntimos a partir de 1 de Agosto. O Preço médio ao produtor ficará entre 24 e 27 cêntimos, mas há muitos produtores a receber preços inferiores.
Estes preços não cobrem os custos de produção!
Produzir um litro de leite custa muito!
O custo por litro de leite varia entre explorações, mas, nas condições actuais, podemos apontar 40 cêntimos, dos quais 35 cêntimos para as despesas correntes, contando rações, palhas, gastos veterinários, adubos, gasóleo, sementes, manutenção dos equipamentos, desinfectantes, mão-de-obra e 5 cêntimos para amortizar o investimento.
Produzir leite dá muito trabalho!
A produção de leite depende muito do trabalho familiar não remunerado. Diariamente, os produtores de leite ordenham as vacas, alimentam-nas, fazem limpezas, tratamentos e cuidam dos campos (sementeiras, sachas, regas, colheitas), 7 dias por semana. Poucos são os que podem tirar alguns dias de férias. Um estudo recente da União Europeia, relativo ao ano de 2006, refere que as explorações agrícolas da UE tinham margem bruta positiva mas davam prejuízo ao considerar os encargos atribuídos à terra, ao capital investido e a mão-de-obra familiar.
Por isso, os produtores de leite, por toda a Europa, estão a exigir um PREÇO JUSTO:
“O preço que os produtores recebem tem vindo a descer desde 2001. Ao mesmo tempo, os custos de produção (ou seja, custos de rações, gasóleo, adubos) têm aumentado dramaticamente. Dezenas de milhares de agricultores deixaram a produção leiteira, com terríveis consequências para muitas regiões da Europa. Para contrariar esta tendência, os preços pagos ao produtor devem cobrir os custos. Um preço do leite justo é bom para todos (produtores e consumidores). Um preço justo dos produtos lácteos permite um futuro seguro para a produção leiteira nacional. Torna possível preservar as paisagens rurais, paisagens únicas para relaxar e desfrutar. Dá um futuro às zonas rurais. Assegura a qualidade da produção e a soberania alimentar.” (European Milk Board)
Os nossos colegas europeus também exigem 40 cêntimos!
Para fugir às suas responsabilidades, o Ministro da Agricultura tem afirmado que outros produtores da Europa recebem preços inferiores. Como de costume, esqueceu algumas coisas. Esqueceu dizer que esses produtores recebem mais ajudas da PAC que os portugueses e que apesar disso já ocorreram violentas manifestações, com invasão de supermercados, bloqueio de centrais de distribuição e fábricas de lacticínios, cortem de estradas, etc. Também os hipermercados nos acusam de não sermos “competitivos” com os preços lá de fora, mas os colegas Europeus também estão a exigir 40 cêntimos como preço justo.
Não nos serve um acordo qualquer!
Indústria e Distribuição parecem continuar de costas voltadas e não comunicaram até agora qualquer acordo que garanta o escoamento da produção portuguesa. Contudo, temos de avisar que de pouco serve escoar a produção se o preço não cobrir os custos de produção; A importação de leite a preços de saldo não pode ser substituída pela compra de leite português ao preço da chuva.
Os hipermercados entregam o fabrico das “marcas brancas” à indústria que garantir o melhor preço. Assim, a indústria que menos pagar ao produtor é que consegue o negócio. Quem “aguenta” é produtor. Isto é um mercado selvagem!
O governo tem muitas responsabilidades na situação actual:
- Nos últimos 4 anos, considerou que o sector do leite não precisava de apoio ao investimento e só agora corrigiu o erro, quando já ninguém tem capacidade para investir;
- Aceitou o fim das quotas leiteiras e o aumento de 5% da quota europeia, a “aterragem suave”, contra a opinião expressa de todas as organizações representativas do sector;
- Prometeu vezes sem conta “20 milhões de euros” mas ainda não activou nenhuma ajuda depois do “exame de saúde” da PAC em Novembro passado;
- Não sentou à mesa representantes dos produtores, indústria e distribuição, ao contrário de outros países, como França e Espanha, onde já foram assinados acordos tripartidos;
- Continua passivo perante a comissão europeia que insiste no fim das quotas leiteiras, recusa-se a mudar o rumo da política seguida nos últimos anos e propõem que os governos resolvam o problema com ajudas nacionais.
- Demorou 4 anos a legislar sobre o licenciamento das explorações, um processo que só vai complicar e aumentar os custos de produção.
Por isso, atendendo às suas responsabilidades acrescidas, exigimos ao governo:
- Atenção ao mercado, ao respeito pelas regras da concorrência, à qualidade do leite importado;
- Que trabalhe por um acordo entre produtores, indústria e distribuição que garanta um preço justo para fazer face aos custos de produção;
- Ajudas directas urgentes aos produtores, ao mesmo nível das ajudas nacionais e regionais concedidas em Espanha e noutros países da Europa.
- Que o adiantamento do RPU, previsto para Outubro, seja também pago aos milhares de agricultores que sejam sorteados para “controlo”.
A produção de leite é um trabalho diário e a luta pela sobrevivência do sector também não vai parar neste Verão. O leite está a ferver e este Verão vai aquecer. Os ânimos estão exaltados e é cada vez mais difícil conter a nossa indignação.
Os produtores de leite

28-5-2009 - MUITO LEITE E POUCO SUMO!

MUITO LEITE E POUCO “SUMO”

Perante a crise que afecta a produção de leite em toda a Europa, com produtores a receber pouco mais de 20 cêntimos/litro, “espreme-se” o resultado do Conselho de Ministros da Agricultura da UE realizado esta semana em Bruxelas e tira-se pouco “sumo”. Para além de manter as medidas de intervenção no mercado que até agora não surtiram efeito, foi anunciada a possibilidade de antecipar 70% das ajudas do RPU para 16 de Outubro. Essa decisão, apesar de positiva, será apenas um “balão de oxigénio” para quem chegar a Outubro e que se esgotará rapidamente se não forem tomadas medidas efectivas para recuperar os preços de mercado para valores que cubram os custos de produção.

Infelizmente, a Comissária Europeia da Agricultura continua irredutível na “aterragem suave” com aumento gradual das quotas até serem inúteis e não aceitou discutir propostas que apontavam para uma redução de alguns pontos percentuais na quota leiteira a nível europeu, de modo a reduzir a produção tal como se reduziu o consumo devido à crise económica. É caso para perguntar: De que serve ter um Português na presidência da Comissão Europeia se os interesses da agricultura portuguesa não são defendidos e a Comissão insiste nas políticas neoliberais que apenas interessam aos países do Norte da Europa?

Gostaríamos também de ouvir os diversos candidatos ao parlamento europeu pronunciar-se sobre estas e outras questões, atendendo ao facto da agricultura ter a principal fatia do orçamento comunitário e do parlamento europeu ter responsabilidades acrescidas nas políticas europeias com a entrada em vigor do Tratado de Lisboa. Em concreto, que tencionam fazer no parlamento europeu para defender a agricultura portuguesa? Como pensam ajudar a produção de leite em Portugal a ultrapassar esta crise de preços? Concordam com o fim das quotas leiteiras? Que propostas têm para a política agrícola comum depois de 2013? Estão satisfeitos com a (não) implementação do PRODER e com o número de jovens agricultores (não) instalados na agricultura portuguesa desde 2005?

Nós, jovens agricultores, vemos também com muita preocupação as dificuldades de relacionamento entre as indústrias que escoam o leite produzido em Portugal e a distribuição que devia comercializar o leite português mas prefere importar leites a baixo preço de origem desconhecida. Pensámos que o governo tem obrigação de intervir com urgência nesta matéria, como mediador e fiscalizador.

Por último, queremos manifestar a nossa solidariedade com os colegas produtores de leite, que vivem grandes dificuldades mas estão a manifestar na rua o seu descontentamento de forma ordeira, pacata e responsável. Esperamos a mesma atitude de responsabilidade por parte de Indústria, Distribuição e Governo, antes que a produção de leite acabe em Portugal, aumente o desespero dos produtores e não seja mais possível conter o “direito à indignação”.
Vairão, 28 de Maio de 2009
A direcção da AJADP

Comunicado de 19-3-2009 - 10 PROPOSTAS PARA VENCER A CRISE NA PRODUÇÃO DE LEITE

1-Face às mudanças na economia mundial, a UE deve ponderar a continuação do sistema de quotas leiteiras, deve avaliar os aumentos definidos na “aterragem suave” e procurar outros mecanismos de estabilização do mercado; Se não houver coragem para mudar a decisão sobre as quotas, que haja justiça de conceder apoios iguais para todos os produtores da Europa;
2-Face ao excedente de Produção, a nível nacional ou comunitário deveria ser implementado um Plano de Abate para retirar das explorações os animais excedentários, com vantagens na redução da produção e no Bem-estar animal.
3- Propomos também um Plano de Resgate de quota para pequenos produtores e agricultores mais idosos que pretendam antecipar o fim da produção, entregando posteriormente essa quota aos jovens agricultores em primeira instalação ou que precisam atingir uma dimensão rentável.
4- À semelhança do que será feito no país vizinho, propomos uma vigilância sanitária e económica do leite importado, para garantir a segurança alimentar dos consumidores e a concorrência leal no mercado, sem práticas de dumping.
5 – Seria também importante aumentar o controlo da concorrência nos mercado de matérias primas e rações, porque não se sentiram na pecuária as baixas de preço registadas na produção de cereais.
6- Sugerimos também que o licenciamento de novas superfícies comerciais inclua nas contrapartidas a compra e promoção de produtos agrícolas nacionais, o que terá ainda vantagem pela redução do deficit da balança comercial.
7- Tendo em conta os elevados custos de aquisição de rações e as potencialidades do nosso país para a produção de forragens, importa facilitar o acesso à terra, promover o arrendamento e emparcelamento, penalizando os proprietários de terras incultas quando exista a possibilidade do seu cultivo.
8 - Insistimos que o governo deve corrigir a injustiça de não considerar estratégico o sector do leite no âmbito do PRODER, bem como simplificar procedimentos que têm afastado os agricultores de candidatar-se a apoios ao investimento.
9- Recordamos também a necessidade de terminar e simplificar a legislação para o exercício da actividade pecuária, sobretudo nos aspectos ambientais, que devem merecer apoios específicos para os necessários investimentos de requalificação.
10- Atendendo às dificuldades económicas já expostas, exigimos que rapidamente sejam efectuados os “controlos” de que dependem os pagamentos ainda em falta a milhares de agricultores do RPU de 2008 e sugerimos a antecipação do pagamento de 2009 para todos os agricultores.
Vairão, 19 de Março de 2009
A Direcção da AJADP

COMUNICADO DE 3-2-2009

No seguimento do Colóquio da AJADP em 30 de Janeiro que reuniu duas centenas de agricultores em Vila do Conde e de outras reuniões periódicas com os jovens agricultores da região, a Direcção da AJADP decidiu tornar públicos os seguintes pontos:
INVESTIGAÇÃO NA AGRO-PECUÁRIAO futuro da agropecuária da nossa região, particularmente da produção de leite, está ameaçado pela decisão europeia de acabar com o regime de quotas leiteiras. O aumento de produção, permitido desde já em 5% sob o nome de “aterragem suave”, será melhor designado por “amaragem suave” num mar de leite excedentário produzido no Norte da Europa. A sobrevivência da produção (e transformação) de leite em Portugal depende de avançarmos rapidamente para explorações mais desenvolvidas e mais eficientes, capazes de produzir leite ao mais baixo custo económico e ambiental, corrigindo erros e aproveitando as nossas potencialidades locais em termos de solo e clima. Para isso precisamos de investigação aplicada e divulgada. Desafiamos as Universidades para essa tarefa e exigimos o correspondente apoio do Governo, no âmbito do PRODER. Até agora, pelo contrário, o Ministério da Agricultura limitou-se a fechar a única Estação Experimental de Leite e Lacticínios da Região.
APOIOS AO INVESTIMENTO E INSTALAÇÃO DE JOVENS AGRICULTORES
Dois anos após a data prevista para o arranque do PRODER, três anos depois de esgotadas as verbas do anterior quadro de apoio, ainda não foi apoiada a instalação de um jovem agricultor na região. A título de exemplo, veja-se o caso de um concelho onde foram apresentadas cerca de 40 candidaturas em Junho passado, 30 foram chumbadas, 10 estão em análise e uma foi aprovada, mas ainda não contratada nem paga. A realidade contradiz os milhões repetidos pelo Sr Ministro da Agricultura.
LICENCIAMENTO DAS EXPLORAÇÕES PECUÁRIAS
A novela em que se tornou o licenciamento das explorações pecuárias teve desenvolvimentos com a publicação em Novembro passado do novo REAP (Regime das Explorações Agro-Pecuárias). Contudo, faltam ainda portarias fundamentais, como a que irá regular a gestão dos Efluentes Pecuários. Aguardamos pela publicação urgente dessas portarias, que esperamos sensatas e realistas, compatíveis com a produção agro-pecuária. Até lá, vamos assistindo ao calvário dos colegas que iniciaram o processo de licenciamento e se deparam com exigências como tirar licença de “águas residuais” para utilizar fertilizante orgânico na nutrição da plantas ou “dar apenas de beber aos animais água da rede pública(!)”
SEGURANÇA SOCIAL E ABONO DE FAMÍLIA
Depois dos sucessivos apelos que lançámos no último ano sobre a injustiça de retirar aos agricultores e outros trabalhadores independentes o abono de família e exigir-lhes elevados pagamentos para a segurança social, apenas com base no total das vendas efectuadas, saudamos agora que a situação tenha sido parcialmente corrigida pela equiparação ao regime simplificado do IRS, esperando que sejam pagos ou devolvidos os retroactivos relativos a 2008 e que no futuro se considere o lucro efectivo de quem tiver contabilidade simplificada.
CONTROLO DAS AJUDAS DO RPU
Por causa do atraso no sistema de controlo, centenas de agricultores ainda não receberam as ajudas do Regime de Pagamento Único de 2007 e milhares nem sequer sabem quando receberão as ajudas de 2008, porque ainda não foram controlados. Em ano de crise, quando todos os cêntimos contam para estimular a economia, esperamos que o Estado Português corrija com urgência estes atrasos e faça os controlos e pagamentos na data correcta, da mesma forma que nos exige o pagamento atempado dos impostos.
Vairão, 3 de Fevereiro de 2009
A Direcção da AJADP

12-11-2008 - COMUNICADO SOBRE DIFICULDADES NA AGRO-PECUÁRIA

A AJADP sente-se na obrigação de tornar públicas as dificuldades actualmente vividas pela pecuária, com destaque nesta região para os produtores de leite. Com efeito, este ano já se registaram descidas no preço por litro pago aos produtores de 11 cêntimos. Assistimos também a ameaças de não recolha do leite por parte de algumas indústrias. A situação é grave porque, apesar da baixa do preço dos cereais na produção, os preços da ração para animais mantém-se ainda particularmente elevados.
Perante este cenário, o governo continua distraído, ausente e indiferente à produção de leite. Entre as várias causas para o actual desequilíbrio no mercado do leite está a decisão da União Europeia de aumentar as quotas em 2% na presente campanha, decisão que teve o acordo do nosso governo.
A AJADP espera que as convulsões registadas este ano na produção de leite na Europa, entre greves, boicotes e manifestações, sirvam de lição para travar os ímpetos liberais da Comissão Europeia quanto ao fim das quotas. A actual crise financeira mundial já serviu para que muitos dos que até agora eram fanáticos do mercado livre reconhecessem a necessidade de regras e mecanismos de controlo. A “crise alimentar” sentida há meses também nos alertou para a necessidade de garantir em todos os territórios uma produção agrícola e agro-pecuária que garanta uma reserva estratégica de alimentos. O regime de quotas leiteiras, apesar de inúmeros defeitos, garantiu nos últimos anos estabilidade na produção de leite e a manutenção dessa produção em todos os territórios, ao proteger a produção menos competitiva das montanhas e zonas periféricas (em relação à Europa, toda a área de Portugal é região periférica).
A actual situação, combinada com a necessidade de licenciamento das explorações pecuárias que começa agora a ter quadro legal para avançar, vai decretar o abandono da produção em muitas vacarias. Atendendo às dificuldades sentidas nas explorações de menor dimensão, julgamos que seria oportuno o governo avançar com um resgate de quotas leiteiras, compensando os produtores de menor dimensão que pretendam abandonar e disponibilizando essa quota para aumentar a dimensão de explorações viáveis e permitir a instalação de jovens agricultores.
Reconhecendo que se regista uma baixa de consumo de leite pelas dificuldades económicas das famílias, apelamos à indústria e à distribuição para que façam um esforço na redução de margens, de modo a repercutir junto dos consumidores a baixa do preço do leite no produtor, para estimular o aumento do consumo.
Igualmente reivindicamos que a indústria de rações baixe os preços dos alimentos compostos para animais da mesma forma que baixaram o preço pago aos produtores de cereais. Continuar a estrangular a pecuária vai ter consequências negativas para todos.
Neste quadro de dificuldades vividas na pecuária e nos cereais, entre outros sectores agrícolas, é incompreensível que o Governo não tenha ainda corrigido a injustiça de cortar o abono de família aos agricultores e outros trabalhadores independentes, com base numa lei absurda que considera as receitas brutas sem atender às despesas efectuadas na empresa. Pelo contrário, a injustiça alargou-se com a retirada de apoios da acção social escolar. É igualmente incompreensível que vários agricultores ainda não tenham recebido a totalidade das ajudas da PAC (RPU) de 2007.
Vairão, 12 de Novembro de 2008
A Direcção da AJADP

COMUNICADO SOBRE AS DECLARAÇÕES DO MINISTRO DA AGRICULTURA

Na passada semana, o Sr. Ministro da Agricultura, a propósito de reivindicações de agricultores em vários pontos do país, produziu um conjunto de afirmações que nos indignaram porque não correspondem à verdade, tentam fugir às responsabilidades e colocam a sociedade contra os agricultores. Mais uma vez, o Sr. Ministro foi rápido a responder mas será lento a fazer alguma coisa.
Em declarações amplamente difundidas pela comunicação social, o Sr. Ministro afirmou que “este ano, aumentaram o leite e os cereais”. É falso. Este ano, 2008, sofremos descidas entre 5 a 9 cêntimos no preço do leite ao produtor. A carne de bovino regista os preços mais baixos em muitos anos. Também há notícias de baixa no preço dos cereais, embora ainda não se note no preço das rações que subiram 50% nos últimos dois anos, bem como dos adubos, fitofármacos e outros factores de produção.
A verdade é que o gasóleo agrícola aumentou 48% em dois anos, enquanto o gasóleo normal apenas 34%. A verdade é que há poucos dias o gasóleo agrícola estava 14 cêntimos mais barato em Espanha.
Para dizer que a agricultura é muito diferente das pescas, o Sr. Ministro também disse que “não há quotas”. Então as “quotas leiteiras”, em vigor até 2015, o que são?
O Sr. Ministro disse ainda que os portugueses compreenderiam mal que “estando a pagar os produtos agrícolas mais caros ainda tivessem aumentos de impostos para ajudar os agricultores”. Com o Ministro da Agricultura a falar assim, os portugueses nunca vão compreender qualquer ajuda ao sector.
O Sr. Ministro poderia ter dito que Portugal foi o país da União Europeia menos afectado com aumento de preços (dados Eurostat de Abril). Deveria também lembrar a diferença entre o preço pago ao produtor e ao consumidor. Que fez o Ministério para combater esse diferencial?
Pela forma como responde cada vez que os agricultores pedem alguma coisa, pela forma como “ataca” quem devia defender e apoiar, pela insensibilidade e desconhecimento da realidade que demonstra, podemos concluir que o Sr. Ministro não está interessado em apoiar o sector, mas apenas garantir que não se gastará mais um cêntimo com os agricultores. A curto prazo, pode ajudar a combater o défice, mas, num futuro próximo, quando os campos estiverem abandonados, quando todos os alimentos forem importados, o país vai perceber que a factura de abandonar a agricultura é muito mais elevada do que alguns apoios extraordinários ao sector, que até podiam ser reclamados a Bruxelas.
Por tudo isto, pela nossa parte, não pedimos nada, queremos apenas repor a verdade. Não pedimos a demissão do Sr. Ministro, porque ele já se demitiu há muito tempo de apoiar os agricultores. Resta-nos aguardar a atenção e intervenção do Sr. Primeiro Ministro, da Assembleia da República e do Sr. Presidente da República.
Vairão, 18 de Junho de 2008
A Direcção da AJADP

APELO AO GOVERNO E CAMIONISTAS EM GREVE

A AJADP, Associação de Jovens Agricultores do Distrito do Porto, vem por este meio alertar para graves dificuldades que a presente greve nos transportes está a causar no sector da Agro-pecuária. Há vacarias onde não foi possível recolher o leite, animais que deveriam sair para o mercado e/ou abate e poderá faltar em breve a ração para os animais.
Várias cooperativas leiteiras avisaram os produtores que não garantem a recolha do leite a partir de amanhã, porque há camiões de transporte bloqueados em Espanha e Portugal. Nós, agricultores, estamos solidários com as reivindicações dos camionistas, porque também sofremos o aumento em 50% do gasóleo agrícola, aumento superior ao gasóleo rodoviário. Estamos ainda a enfrentar outros aumentos de factores de produção como rações e adubos, ao mesmo tempo que se registaram já baixas significativas no preço do leite ao produtor nos últimos meses. Nestas condições, apelamos ao Governo para que resolva rapidamente esta situação e apelamos ao bom senso dos piquetes de greve para que permitam a passagem de alimentos para os animais e do próprio leite produzido, pois é um produto altamente perecível que tem de ser recolhido diariamente e rapidamente transportado para as fábricas para ser transformado e armazenado. Não podemos deixar os animais à fome nem deixar as vacas sem ordenhar. Na situação difícil em que o sector se encontra, seria catastrófico deitar fora o leite produzido.
Vairão, 9-6-2008
A Direcção da AJADP

3-6-2008- CONFERÊNCIA DE IMPRENSA

EXIGIMOS RESPEITO, VERDADE, JUSTIÇA E ACÇÃO

A VERDADE:
O Sr. Ministro da Agricultura afirmou que a agricultura tinha uma redução de 50% no preço do gasóleo”. É falso. Essa redução é cerca de 30%. Estas declarações colocam a sociedade contra os agricultores.
A verdade é que o gasóleo agrícola aumentou 48% em dois anos, enquanto o gasóleo normal apenas 34%. A crise não é igual para todos.
A verdade é que há poucos dias o gasóleo agrícola estava 14 cêntimos mais barato em Espanha e nós não podemos ir lá buscá-lo.
A verdade é que estamos a pagar o gasóleo agrícola ao preço do gasóleo rodoviário do ano passado.
A verdade é que o Sr Ministro ainda não pagou as ajudas da PAC aos agricultores em controlo.
Outro caso lamentável foi justificar o fim da electricidade verde com as “piscinas” dos agricultores. Quantos casos foram? Um, dois, dez, vinte? Quantos milhares de agricultores precisavam dessa ajuda? Em Espanha, essa ajuda mantém-se... Aqui, ficamos com a fama e sem proveito.
Outros aumentos que sofremos:
Adubo: aumentos entre 49 e 86%
Sementes: 19%
Herbicidas: 19%
Ração: 54-56%

JUSTIÇA
1. INJUSTIÇA NAS QUOTAS LEITEIRAS
A União Europeia aprovou recentemente um aumento de 2% nas quotas leiteiras para todos os estados membros, como resposta às necessidades do mercado e como forma de iniciar a “aterragem suave” para o fim do sistema de quotas.
Portugal aprovou esse aumento sem ouvir a opinião dos agricultores.
Esse aumento corresponde a cerca de 39000 toneladas para Portugal; Ainda em Bruxelas, logo à saída da reunião, o Sr. Ministro disse que 23000 toneladas eram para a região dos Açores, e agora está em cima da mesa uma proposta nesse sentido. Sobram 16000 toneladas de quota para o resto do território.
O aumento de 2% na quota da presente campanha implica o risco de Portugal continental ser invadido por leite excedentário dos países com grande produção no Centro e Norte da Europa.
Ficamos com o risco e sem o proveito.
Temos um sector envelhecido, temos de dar dimensão às explorações leiteiras e consolidar explorações de jovens agricultores que se endividaram para adquirir quota, a quem nunca foi atribuída quota da reserva. Temos muitos jovens à espera de quota.
Estamos a ser discriminados por uma decisão política.
Se o governo pretendia dar um aumento de quota à região dos Açores devia pedi-la especificamente para isso, não tirá-la do bolo que devia ser repartido por todos. Estes 2% deviam ser repartidos por todos os produtores em actividade, que preenchessem a quota, ou atribuídos a cada região consoante o seu contributo para a produção nacional.
Estamos neste momento a debater uma lei que devia estar em vigor desde 1 de Abril; Estamos a candidatar-nos à reserva com base na lei actual ao mesmo tempo que discutimos a alteração da lei.
OUTRA INJUSTIÇA: ABONO DE FAMÍLIA

O Governo ainda não corrigiu a injustiça de retirar o abono de família aos trabalhadores independentes.
Recordamos que «O Provedor de Justiça chamou a atenção do Ministro do Trabalho e da Solidariedade Social para a necessidade de elaborar legislação que altere a forma como são apurados os rendimentos de trabalhadores independentes considerados para efeitos de atribuição do abono de família, no sentido de que sejam deduzidos os custos inerentes à sua actividade. Está em causa a interpretação da expressão "rendimentos anuais ilíquidos", que determinam o total de rendimentos do agregado familiar a considerar no cálculo do escalão de abono de família atribuível. Tal expressão, constante do artigo nono do referido Decreto-Lei, tem sido interpretada como correspondendo aos rendimentos brutos dos trabalhadores, sem qualquer tipo de desconto, dedução ou abatimento.» Na mesma data, o Sr. Provedor de Justiça alertou para a “urgência de acautelar as situações das crianças e jovens inseridas em agregados familiares que auferem rendimentos empresariais e profissionais”, cerca de meio milhão de agregados familiares, segundo especialistas da matéria.

ACÇÃO – A CRISE NO SECTOR DA CARNE
Números da crise: ver anexo
Causas : Aumento do preço das rações / Cereais
Consequência: Os vitelos não se conseguem vender
OS engordadores estão a fechar, à beira da falência.
Somos invadidos por carne barata, de aspecto duvidoso. Onde está a fiscalização?
Há o risco dos animais se acumularem nas explorações, com excesso de lotação e redução das condições de bem-estar.
Paradoxo: Portugal produz menos de 50% da carne que consome, estamos numa “crise alimentar” e os produtores não conseguem vender!
Propostas :
A) Intervenção no mercado ao nível Europeu – retirar carne e entregá-la a instituições de solidariedade ou países com situação de fome;
B) Promoções para o consumo da carne – baixa de preço ao consumidor - redução da margem dos intermediários
C) Campanha de publicidade e promoção da carne nacional
D) Maior exigência de qualidade à carne importada. As autoridades devem garantir que a carne importada que entra nos circuitos comerciais não foi conseguida com a adopção de práticas, métodos e substâncias proibidas em Portugal, designadamente promotores de crescimento (hormonas);
S. Pedro de Rates, 3 de Junho de 2008
A Direcção da AJADP

30-5-2008: COMUNICADO SOBRE GREVE DOS PESCADORES E GREVE DO LEITE

AJADP SOLIDÁRIA COM PESCADORES E AGRICULTORES EM GREVE

A AJADP, Associação de Jovens Agricultores do Distrito do Porto, deseja manifestar a sua solidariedade com os pescadores que iniciaram hoje uma greve por causa do preço dos combustíveis. Nós, agricultores, sabemos e sofremos na pele os mesmos aumentos: estamos a pagar hoje o gasóleo agrícola mais caro do que se pagava o gasóleo normal um ano atrás. Sofremos também aumentos enormes nas rações para animais e nos adubos para a terra.
Estamos também solidários com os colegas agricultores que iniciaram a “greve do leite” na Alemanha, Áustria, Holanda, Bélgica e Suíça, exigindo um preço que compense os aumentos dos custos de produção.
Em Portugal continental, os produtores de leite tem de enfrentar a ameaça do país ser invadido por leite excedentário da União Europeia, ao mesmo tempo que são discriminados com uma proposta do governo que atribui à região dos Açores a grande fatia do aumento da quota leiteira concedida por Bruxelas para a presente campanha.
Face a estas dificuldades e injustiças, a AJADP vai iniciar hoje uma jornada de reflexão de modo a decidir a posição a tomar e ponderar iniciativas a desenvolver, de modo a que a nossa opinião seja ouvida por quem tinha obrigação de estar solidário com agricultores e pescadores.

Vairão, 30 de Maio de 2008
A Direcção da AJADP