NOTA À COMUNICAÇÃO SOCIAL
A AJADP tem acompanhado com preocupação a evolução da seca na região. A situação da agro-pecuária ainda não é tão dramática como noutras regiões do país porque os agricultores estão a utilizar as forragens conservadas do ano anterior, mas a manterem-se as actuais condições pode estar em causa a cultura do milho em 2005 e consequentemente a alimentação das vacas leiteiras no próximo ano.
Para além de reafirmarmos o pedido de ajuda urgente já apresentado por inúmeras organizações de agricultores, entendemos que devemos também fazer a nossa parte e aproveitar todos os recursos disponíveis para enfrentar o problema da seca e reduzir os seus impactos.
Nesse sentido, vamos organizar, com o apoio da AJAP, um Seminário sobre o “USO EFICIENTE DA ÁGUA NA REGA DA CULTURA DO MILHO”. Será no próximo dia 1 de Abril, pelas 14 horas, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde. Contaremos com a presença de técnicos da Direcção Regional de Agricultura e da Escola Superior Agrária de Ponte de Lima que desenvolveram vários estudos sobre o assunto nos últimos anos e teremos também testemunhos de jovens agricultores que experimentaram sistemas inovadores de rega com enormes poupanças de água. Apresentaremos ainda algumas novidades das feiras agrícolas de Paris que visitámos há pouco tempo.
Esperamos que esta iniciativa sirva como exemplo de partilha de experiências e saberes adquiridos para outras regiões de modo a que cada agricultor fique consciente de tudo o que pode fazer para enfrentar esta dificuldade.
Vairão, 16 de Março de 2005
A Direcção da AJADP
19-7-2004- Propostas para sector da carne
Os agricultores portugueses que se dedicam à engorda de bovinos para produção de carne enfrentam actualmente graves dificuldades que poderão levar à falência milhares de explorações agrícolas.
O sector vive em crise desde que surgiu a BSE, mas as condições de mercado agravaram-se nas últimas semanas; Neste momento, os preços pagos ao produtor estão aos níveis mais baixos de que há memória, abaixo do preço de custo, e mesmo assim o escoamento da produção é lento e difícil. A situação é particularmente grave para os animais de raça frísia, cuja carne nunca foi promovida e sempre teve preços mais baixos.
Nós, jovens agricultores, estamos apreensivos com esta situação que coloca em risco o futuro da pecuária mas não pretendemos baixar os braços. Com esta actividade que organizámos hoje queremos dar a nossa contribuição para promover a carne de bovino. Esperamos que esta iniciativa seja a primeira de uma campanha organizada e consistente; É lamentável que existam verbas da União Europeia para promover o consumo de produtos agrícolas e a boa carne que se produz na região nunca tenha sido alvo de promoção. Esta não é uma crise pontual. Apelamos aos colegas agricultores de todas as idades para que se unam em torno de organizações capazes de promover e comercializar a carne a preço justo. Desafiamos os responsáveis das organizações existentes a apresentarem propostas e projectos concretos de certificação e criação de marcas para carne da região.
Exigimos o reforço da fiscalização no sector da carne, ao nível do transporte, comércio e qualidade dos produtos. Sabendo que as custos de produção são aproximados nos diversos países da Europa, desconfiamos que algo de errado se passa na produção ou no comércio quando é colocada em Portugal carne importada a preços abaixo do custo. Exigimos fiscalização e penalizações para os que infringirem as regras de segurança alimentar e de comércio justo. Não pode haver espaço para ilegalidades.
Exigimos um sistema de rotulagem com indicação da origem do animal, data e local de abate, que permita efectivamente seguir o bife “do prado ao prato” e responsabilizar todos os intervenientes no processo. Rejeitamos a proposta da Comissão Europeia de substituir a designação nacional na rotulagem por uma designação genérica de origem EU. Os consumidores portugueses que preferem produtos nacionais tem o direito de saber de onde vem aquilo que comem.
Reclamamos o rápido levantamento do embargo europeu à carne bovina em condições que permita efectivamente a exportação da carne nacional; depois de todo o esforço efectuado em Portugal no combate à BSE, sabendo que a doença existe também noutros países da União Europeia, não podemos aceitar de ânimo leve que o nosso país receba todo o tipo de carne (alguma de qualidade duvidosa) e não possa exportar os seus melhores produtos.
Não compreendemos que a carne de vaca se mantenha nos talhos ao mesmo preço depois das quebras que sofreu na produção, justificando-se com o baixo preço da carne importada; Desafiámos o sector do comércio a baixar os preços ao consumidor de forma a aumentar as vendas, em vez de querer obter grandes margens com cada vez menos carne de origem nacional. Se não houver solidariedade na fileira da carne, não restará outra hipótese de sobrevivência que não seja a venda directa do produtor ao consumidor.
Esta crise não pode continuar. Por este caminho assistiremos primeiro ao encerramento de muitas explorações agrícolas mas depois esse abandono da agricultura vai afectar o meio rural e todo o país.
A Direcção da AJADP
O sector vive em crise desde que surgiu a BSE, mas as condições de mercado agravaram-se nas últimas semanas; Neste momento, os preços pagos ao produtor estão aos níveis mais baixos de que há memória, abaixo do preço de custo, e mesmo assim o escoamento da produção é lento e difícil. A situação é particularmente grave para os animais de raça frísia, cuja carne nunca foi promovida e sempre teve preços mais baixos.
Nós, jovens agricultores, estamos apreensivos com esta situação que coloca em risco o futuro da pecuária mas não pretendemos baixar os braços. Com esta actividade que organizámos hoje queremos dar a nossa contribuição para promover a carne de bovino. Esperamos que esta iniciativa seja a primeira de uma campanha organizada e consistente; É lamentável que existam verbas da União Europeia para promover o consumo de produtos agrícolas e a boa carne que se produz na região nunca tenha sido alvo de promoção. Esta não é uma crise pontual. Apelamos aos colegas agricultores de todas as idades para que se unam em torno de organizações capazes de promover e comercializar a carne a preço justo. Desafiamos os responsáveis das organizações existentes a apresentarem propostas e projectos concretos de certificação e criação de marcas para carne da região.
Exigimos o reforço da fiscalização no sector da carne, ao nível do transporte, comércio e qualidade dos produtos. Sabendo que as custos de produção são aproximados nos diversos países da Europa, desconfiamos que algo de errado se passa na produção ou no comércio quando é colocada em Portugal carne importada a preços abaixo do custo. Exigimos fiscalização e penalizações para os que infringirem as regras de segurança alimentar e de comércio justo. Não pode haver espaço para ilegalidades.
Exigimos um sistema de rotulagem com indicação da origem do animal, data e local de abate, que permita efectivamente seguir o bife “do prado ao prato” e responsabilizar todos os intervenientes no processo. Rejeitamos a proposta da Comissão Europeia de substituir a designação nacional na rotulagem por uma designação genérica de origem EU. Os consumidores portugueses que preferem produtos nacionais tem o direito de saber de onde vem aquilo que comem.
Reclamamos o rápido levantamento do embargo europeu à carne bovina em condições que permita efectivamente a exportação da carne nacional; depois de todo o esforço efectuado em Portugal no combate à BSE, sabendo que a doença existe também noutros países da União Europeia, não podemos aceitar de ânimo leve que o nosso país receba todo o tipo de carne (alguma de qualidade duvidosa) e não possa exportar os seus melhores produtos.
Não compreendemos que a carne de vaca se mantenha nos talhos ao mesmo preço depois das quebras que sofreu na produção, justificando-se com o baixo preço da carne importada; Desafiámos o sector do comércio a baixar os preços ao consumidor de forma a aumentar as vendas, em vez de querer obter grandes margens com cada vez menos carne de origem nacional. Se não houver solidariedade na fileira da carne, não restará outra hipótese de sobrevivência que não seja a venda directa do produtor ao consumidor.
Esta crise não pode continuar. Por este caminho assistiremos primeiro ao encerramento de muitas explorações agrícolas mas depois esse abandono da agricultura vai afectar o meio rural e todo o país.
A Direcção da AJADP
2-7-2004- Prevenção e Combate a Incêndios
PALESTRA SOBRE PREVENÇÃO E COMBATE A INCÊNDIOS
(Na floresta e instalações agrícolas)
2 DE JULHO DE 2004 : 14,30 – 17,00
AUDITÓRIO DA COOPERATIVA AGRÍCOLA DE VILA DO CONDE
A AJADP, face ao problema que os incêndios representam em Portugal e ao risco elevado que este ano é apontado para a região norte, pediu a colaboração dos Serviços Florestais e da Protecção Civil Distrital para organizar uma palestra onde se procurará responder a algumas questões:
· Como podem os agricultores/proprietários prevenir os fogos florestais?
· Como podem/devem colaborar com as autoridades em caso de incêndio?
· Como prevenir e como agir no caso de incêndios nas instalações agrícolas?
Estarão presentes técnicos da Secretaria de Estado das Florestas e do CDOS do Porto- Centro Distrital de Operações de Socorro.
Para além da informação que esperamos disponibilizar aos agricultores e proprietários, pretendemos também dar-lhes voz e ouvir a sua opinião sobre as melhores orientações para a resolução dos problemas da floresta que a todos nos preocupam. Os proprietários da floresta são muitas vezes acusados e poucas vezes ouvidos.
Sabemos que esta é uma pequena iniciativa face a um grande problema, mas esperamos que seja um exemplo a motivar outras acções e contamos com a divulgação possível para que a palestra seja participada e aproveitada pelos destinatários, para bem da floresta, da agricultura e de toda a sociedade.
A Direcção da AJADP
(Na floresta e instalações agrícolas)
2 DE JULHO DE 2004 : 14,30 – 17,00
AUDITÓRIO DA COOPERATIVA AGRÍCOLA DE VILA DO CONDE
A AJADP, face ao problema que os incêndios representam em Portugal e ao risco elevado que este ano é apontado para a região norte, pediu a colaboração dos Serviços Florestais e da Protecção Civil Distrital para organizar uma palestra onde se procurará responder a algumas questões:
· Como podem os agricultores/proprietários prevenir os fogos florestais?
· Como podem/devem colaborar com as autoridades em caso de incêndio?
· Como prevenir e como agir no caso de incêndios nas instalações agrícolas?
Estarão presentes técnicos da Secretaria de Estado das Florestas e do CDOS do Porto- Centro Distrital de Operações de Socorro.
Para além da informação que esperamos disponibilizar aos agricultores e proprietários, pretendemos também dar-lhes voz e ouvir a sua opinião sobre as melhores orientações para a resolução dos problemas da floresta que a todos nos preocupam. Os proprietários da floresta são muitas vezes acusados e poucas vezes ouvidos.
Sabemos que esta é uma pequena iniciativa face a um grande problema, mas esperamos que seja um exemplo a motivar outras acções e contamos com a divulgação possível para que a palestra seja participada e aproveitada pelos destinatários, para bem da floresta, da agricultura e de toda a sociedade.
A Direcção da AJADP
03-2004- Seminário PAC e Novas Tecnologias
A REFORMA DA PAC, OS JOVENS AGRICULTORES E AS NOVAS TECNOLOGIAS
Na próxima Sexta-feira, dia 26 de Março de 2004, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, A AJAP, Associação de Jovens Agricultores de Portugal e a AJADP, Associação de Jovens Agricultores do Distrito do Porto, organizam um seminário onde pretendem apresentar a reforma da PAC e novas tecnologias aos jovens agricultores da Região. Estarão presentes, entre outros, o Secretário de Estado de Agricultura, Engº Bianchi de Aguiar e o Director Regional de Agricultura de EDM, Engº Carlos Duarte.
Na primeira parte do seminário estará presente um Técnico do Ministério da Agricultura responsável pelas negociações da PAC, que apresentará a reforma de 2003 nos aspectos que mais afectam os jovens agricultores da Região. Para além do que ficou decidido, importa acompanhar a definição de regras específicas de implementação da reforma em Portugal.
As novas tecnologias ao dispor dos agricultores estarão em destaque na segunda parte, onde serão apresentados vídeos, fotos e testemunhos de uma viagem de estudo realizada pela AJADP ao norte de Espanha em fevereiro passado sobre Robots de ordenha, produção de leite em agricultura biológica, sistemas colectivos de mecanização e outras inovações. Dois técnicos conceituados farão comentários sobre a possibilidade de implementar essas tecnologias na região.
DATA: 26 de Março -14 Horas
LOCAL: Auditório da Cooperativa de Vila do Conde
TÍTULO: A Reforma da PAC, os Jovens Agricultores e as novas tecnologias
PROGRAMA:
14,15 SESSÃO DE ABERTURA Presidida pelo Director Regional de Agricultura
14,30 TEMA 1 – Reforma da PAC e Jovens agricultores
15,15 DEBATE
15,45 INTERVALO
16,15 TEMA 2 - Novas opções na pecuária / novas tecnologias
17,30 SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Presidida pelo Secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural
Na próxima Sexta-feira, dia 26 de Março de 2004, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, A AJAP, Associação de Jovens Agricultores de Portugal e a AJADP, Associação de Jovens Agricultores do Distrito do Porto, organizam um seminário onde pretendem apresentar a reforma da PAC e novas tecnologias aos jovens agricultores da Região. Estarão presentes, entre outros, o Secretário de Estado de Agricultura, Engº Bianchi de Aguiar e o Director Regional de Agricultura de EDM, Engº Carlos Duarte.
Na primeira parte do seminário estará presente um Técnico do Ministério da Agricultura responsável pelas negociações da PAC, que apresentará a reforma de 2003 nos aspectos que mais afectam os jovens agricultores da Região. Para além do que ficou decidido, importa acompanhar a definição de regras específicas de implementação da reforma em Portugal.
As novas tecnologias ao dispor dos agricultores estarão em destaque na segunda parte, onde serão apresentados vídeos, fotos e testemunhos de uma viagem de estudo realizada pela AJADP ao norte de Espanha em fevereiro passado sobre Robots de ordenha, produção de leite em agricultura biológica, sistemas colectivos de mecanização e outras inovações. Dois técnicos conceituados farão comentários sobre a possibilidade de implementar essas tecnologias na região.
DATA: 26 de Março -14 Horas
LOCAL: Auditório da Cooperativa de Vila do Conde
TÍTULO: A Reforma da PAC, os Jovens Agricultores e as novas tecnologias
PROGRAMA:
14,15 SESSÃO DE ABERTURA Presidida pelo Director Regional de Agricultura
14,30 TEMA 1 – Reforma da PAC e Jovens agricultores
15,15 DEBATE
15,45 INTERVALO
16,15 TEMA 2 - Novas opções na pecuária / novas tecnologias
17,30 SESSÃO DE ENCERRAMENTO
Presidida pelo Secretário de Estado da Agricultura e Desenvolvimento Rural
29-12-2003 - Situação Difícil na Pecuária
Tendo conhecimento das dificuldades vividas actualmente por muitas explorações pecuárias do Entre Douro e Minho, e não obtendo respostas das entidades responsáveis apesar de várias diligências efectuadas, a Associação de Jovens Agricultores do distrito do Porto decidiu tornar públicas as suas preocupações relativamente aos seguintes problemas:
1. Falta de Pagamento das indemnizações por abates sanitários:
Mais de 100 explorações onde foram efectuados abates sanitários (por detecção de BSE) a partir de Maio deste ano ainda não receberam as respectivas indemnizações, o que está a causar graves constrangimentos financeiros visto que foram forçadas a investir na aquisição de novos animais, em muitas situações recorrendo ao crédito bancário. Quando os agricultores contactam os serviços estatais no sentido de saber quando serão pagas as indemnizações, bem como o respectivo valor, são informados de que aguardam autorização superior, mas que se prevê que a indemnização seja paga de acordo com a legislação em vigor á data do abate e não da data da sua notificação. Esta informação está a indignar os agricultores, já que muitos foram notificados ainda em 2002 sendo injusto que se aplique legislação publicada à posteriori.
2. Grave situação causada pelas novas taxas de abate de animais
O decreto-lei 244/2003, publicado em 7 de Outubro deste ano, veio agravar uma situação que já estava complicada desde que surgiu a BSE em Portugal. Nos milhares de explorações leiteiras portuguesas, animais saudáveis e com valor comercial são vendidos ao “preço da chuva”, pois o agricultor, que é o elo mais fraco da cadeia, vê “descontado” no preço de venda todas as despesas de abate (teste da BSE, desossagem, taxas de eliminação de subprodutos, etc). Quanto aos animais sem valor comercial, as “vacas de refugo”, que até Outubro eram abatidas nos matadouros e destruídas sem custos para o agricultor para além dos transporte, o novo decreto tornou impossível essa situação: para além de nada receber pelo animal, o agricultor tem ainda de pagar mais de 150 ou 200 euros para a sua destruição. Resta ao agricultor esperar que o animal morra na exploração para ser recolhido.
Já passou tempo suficiente para o Governo tomar consciência da gravidade da situação e encontrar solução para os problemas causados: aumento da importação de carne de bovino, baixa dos preços ao produtor, problemas sanitários e ambientais e de bem-estar nas explorações (sobrelotação de animais), sobrecarga no SIRCA (Sistema de recolha de cadáveres). A solução imediata que se impõem é a isenção de taxas que permita o abate atempado e em condições sanitárias dos animais de refugo.
3. Indefinição quanto a novas regras ambientais e de bem-estar animal
Continuamos na expectativa da publicação de legislação que permita a requalificação das explorações leiteiras em termos ambientais e de bem-estar animal. Esperamos que os representantes de Portugal na União Europeia, tanto ao nível de Governo como do Parlamento Europeu, acompanhem devidamente as regras que entretanto se definem em Bruxelas, não se limitando a traduzir para português leis completamente desajustadas da nossa realidade em termos de solo, clima e estrutura das explorações agrícolas.
Esperamos a atenção do Governo e da Assembleia da República para estes e outros problemas (por exemplo, importação de Carne e Leite a preços que nos fazem desconfiar dos métodos de produção ou das práticas comerciais adoptadas) que estão a causar grande indignação entre os agricultores e poderão obrigar-nos a formas de protesto mais expressivas se entretanto continuarmos sem obter qualquer resposta concreta.
Vairão, 29 de Dezembro de 2003
A Direcção da AJADP
1. Falta de Pagamento das indemnizações por abates sanitários:
Mais de 100 explorações onde foram efectuados abates sanitários (por detecção de BSE) a partir de Maio deste ano ainda não receberam as respectivas indemnizações, o que está a causar graves constrangimentos financeiros visto que foram forçadas a investir na aquisição de novos animais, em muitas situações recorrendo ao crédito bancário. Quando os agricultores contactam os serviços estatais no sentido de saber quando serão pagas as indemnizações, bem como o respectivo valor, são informados de que aguardam autorização superior, mas que se prevê que a indemnização seja paga de acordo com a legislação em vigor á data do abate e não da data da sua notificação. Esta informação está a indignar os agricultores, já que muitos foram notificados ainda em 2002 sendo injusto que se aplique legislação publicada à posteriori.
2. Grave situação causada pelas novas taxas de abate de animais
O decreto-lei 244/2003, publicado em 7 de Outubro deste ano, veio agravar uma situação que já estava complicada desde que surgiu a BSE em Portugal. Nos milhares de explorações leiteiras portuguesas, animais saudáveis e com valor comercial são vendidos ao “preço da chuva”, pois o agricultor, que é o elo mais fraco da cadeia, vê “descontado” no preço de venda todas as despesas de abate (teste da BSE, desossagem, taxas de eliminação de subprodutos, etc). Quanto aos animais sem valor comercial, as “vacas de refugo”, que até Outubro eram abatidas nos matadouros e destruídas sem custos para o agricultor para além dos transporte, o novo decreto tornou impossível essa situação: para além de nada receber pelo animal, o agricultor tem ainda de pagar mais de 150 ou 200 euros para a sua destruição. Resta ao agricultor esperar que o animal morra na exploração para ser recolhido.
Já passou tempo suficiente para o Governo tomar consciência da gravidade da situação e encontrar solução para os problemas causados: aumento da importação de carne de bovino, baixa dos preços ao produtor, problemas sanitários e ambientais e de bem-estar nas explorações (sobrelotação de animais), sobrecarga no SIRCA (Sistema de recolha de cadáveres). A solução imediata que se impõem é a isenção de taxas que permita o abate atempado e em condições sanitárias dos animais de refugo.
3. Indefinição quanto a novas regras ambientais e de bem-estar animal
Continuamos na expectativa da publicação de legislação que permita a requalificação das explorações leiteiras em termos ambientais e de bem-estar animal. Esperamos que os representantes de Portugal na União Europeia, tanto ao nível de Governo como do Parlamento Europeu, acompanhem devidamente as regras que entretanto se definem em Bruxelas, não se limitando a traduzir para português leis completamente desajustadas da nossa realidade em termos de solo, clima e estrutura das explorações agrícolas.
Esperamos a atenção do Governo e da Assembleia da República para estes e outros problemas (por exemplo, importação de Carne e Leite a preços que nos fazem desconfiar dos métodos de produção ou das práticas comerciais adoptadas) que estão a causar grande indignação entre os agricultores e poderão obrigar-nos a formas de protesto mais expressivas se entretanto continuarmos sem obter qualquer resposta concreta.
Vairão, 29 de Dezembro de 2003
A Direcção da AJADP
30-9-2003 - Agricultura e Ambiente
Estamos no início do Outono e a maioria dos agricultores da nossa região já terminou ou termina a colheita do milho nos próximos dias. Tal como sucede desde há muitos anos, seguir-se-ão as sementeiras de Inverno, sendo incorporados nas terras, para servir de nutriente às plantas, os estrumes resultantes da pecuária, sobretudo estrume líquido (chorume).
Nos últimos tempos, tem chegado à nossa associação relatos sobre pessoas que chamam as autoridades policiais quando vêm um agricultor vizinho a colocar chorume na terra e também relatos sobre agentes policiais que por iniciativa própria interpelam e identificam os agricultores, dizendo-lhes que não podem colocar o chorume na terra. Contactámos os Serviços do Ministério da Agricultura e tivemos como resposta não existir legislação a proibir a aplicação do chorume (excepto para as “zonas vulneráveis” em determinadas épocas), pois o chorume é um nutriente da terra e esses casos resultam provavelmente da interpretação errada da lei relativa às lamas das ETAR.
Esta situação causa-nos medo em relação ao futuro mas causa também revolta e incompreensão quando vemos à nossa volta os esgotos de indústrias e habitações a serem lançados nos cursos de água sem qualquer tratamento, o que é muito mais grave.
Depois de organizarmos e participarmos em debates sobre o assunto e mantermos contactos frequentes com organizações de agricultores, Universidades e Direcção Regional de Agricultura, entendemos ser nosso dever lançar publicamente um conjunto de apelos:
1. Apelamos ao Governo e Assembleia da República para que apresentem a breve prazo a legislação prometida sobre aplicação de chorumes e legalização de vacarias.
2. Apelamos ao Governo, Autarquias e Direcções Regionais de Agricultura e Ambiente para que se prepare a construção das ETAR colectivas que forem necessárias para tratar o chorume excedente das explorações.
3. Apelamos também aos mesmos intervenientes para que seja dada mais formação a todos os agricultores sobre as questões ambientais.
4. Apelamos às universidades e empresas do sector para que desenvolvam produtos capazes de minimizar os impactos ambientais da aplicação do chorume, nomeadamente os maus cheiros.
5. Apelamos a todos os agricultores para que, apesar das limitações, procurem desde já, com cuidado e bom-senso, causar o mínimo incómodo às populações circundantes das sua explorações, nomeadamente através do rápido enterramento do chorume aplicado, para que o descuido de alguns não seja motivo de “castigo” para todos.
6. Por último, apelamos à compreensão da população. Pedimos à comunicação social que transmita uma mensagem que deveríamos colocar em cada campo durante a distribuição do chorume: “Pedimos desculpa pelo incómodo. Prometemos ser breves. Estamos a trabalhar para garantir a sua alimentação, oxigénio, paisagem e vida no espaço rural”.
30 de Setembro de 2003
A Direcção da AJADP
Nos últimos tempos, tem chegado à nossa associação relatos sobre pessoas que chamam as autoridades policiais quando vêm um agricultor vizinho a colocar chorume na terra e também relatos sobre agentes policiais que por iniciativa própria interpelam e identificam os agricultores, dizendo-lhes que não podem colocar o chorume na terra. Contactámos os Serviços do Ministério da Agricultura e tivemos como resposta não existir legislação a proibir a aplicação do chorume (excepto para as “zonas vulneráveis” em determinadas épocas), pois o chorume é um nutriente da terra e esses casos resultam provavelmente da interpretação errada da lei relativa às lamas das ETAR.
Esta situação causa-nos medo em relação ao futuro mas causa também revolta e incompreensão quando vemos à nossa volta os esgotos de indústrias e habitações a serem lançados nos cursos de água sem qualquer tratamento, o que é muito mais grave.
Depois de organizarmos e participarmos em debates sobre o assunto e mantermos contactos frequentes com organizações de agricultores, Universidades e Direcção Regional de Agricultura, entendemos ser nosso dever lançar publicamente um conjunto de apelos:
1. Apelamos ao Governo e Assembleia da República para que apresentem a breve prazo a legislação prometida sobre aplicação de chorumes e legalização de vacarias.
2. Apelamos ao Governo, Autarquias e Direcções Regionais de Agricultura e Ambiente para que se prepare a construção das ETAR colectivas que forem necessárias para tratar o chorume excedente das explorações.
3. Apelamos também aos mesmos intervenientes para que seja dada mais formação a todos os agricultores sobre as questões ambientais.
4. Apelamos às universidades e empresas do sector para que desenvolvam produtos capazes de minimizar os impactos ambientais da aplicação do chorume, nomeadamente os maus cheiros.
5. Apelamos a todos os agricultores para que, apesar das limitações, procurem desde já, com cuidado e bom-senso, causar o mínimo incómodo às populações circundantes das sua explorações, nomeadamente através do rápido enterramento do chorume aplicado, para que o descuido de alguns não seja motivo de “castigo” para todos.
6. Por último, apelamos à compreensão da população. Pedimos à comunicação social que transmita uma mensagem que deveríamos colocar em cada campo durante a distribuição do chorume: “Pedimos desculpa pelo incómodo. Prometemos ser breves. Estamos a trabalhar para garantir a sua alimentação, oxigénio, paisagem e vida no espaço rural”.
30 de Setembro de 2003
A Direcção da AJADP
18-07-2002 : Jovens, Agricultura e Ambiente
Dados recentemente publicados pelo Eurostat indicam que Portugal é o país europeu com maior tendência para o envelhecimento da população agrícola. Regra geral, por todo o país, são cada vez menos os jovens que se instalam na agricultura.
A região de Entre Douro e Minho tem sido excepção a esta regra, nomeadamente no sector da pecuária de leite, que sobreviveu porque se modernizou, através da combinação de fortes investimentos (em equipamentos, construções e melhoramentos fundiários) com melhorias nas técnicas de cultivo e criação de animais. Conseguiram-se assim aumentos de produtividade e qualidade, atingindo-se em muitas exploração níveis equivalentes aos países mais desenvolvidos da Europa que permitem a sobrevivência económica da nossa agricultura com níveis muito reduzidos de subsídios. São sobretudo explorações de agricultura familiar, de média dimensão, com gestão ou colaboração de jovens agricultores, nesse caso filhos dos proprietários.
Tal como noutras actividades económicas (indústria, serviços, Etc), a intensificação e o progresso registados na agricultura têm custos ambientais, nomeadamente a poluição das águas por nitratos e os maus cheiros das instalações pecuárias ou dos chorumes espalhados nos campos. Os agricultores, porque contactam directamente com esta realidade e dependem do meio ambiente para o seu trabalho, estão preocupados com esta situação.
Infelizmente, a agricultura tem servido muitas vezes como bode expiatório, sendo demagogicamente referida como a única origem da poluição das águas, esquecendo-se o saneamento que falta construir ou completar com as ETAR’s que mesmo depois de instaladas nem sempre funcionam. Junte-se a isto um ambientalismo bem intencionado mas pouco esclarecido – pois esquece que o meio rural só continuará vivo enquanto existirem agricultores – e temos criadas as condições para “expulsar” as explorações pecuárias das proximidades de todas as zonas habitadas.
Serão os campos abandonados, cheios de lixo, silvas e ratos, zonas de melhor qualidade ambiental?
Consciente da função social, económica e ambiental da agricultura, a AJADP está convicta que o desenvolvimento sustentado da nossa região passa pela manutenção de uma agricultura que equilibre a produção com o respeito pelo meio ambiente e o menor “incomodo” possível das vizinhanças.
Neste sentido, rejeitamos a aplicação cega de leis desactualizadas ou desenquadradas da nossa região que levará ao encerramento de milhares de explorações e exigimos regras fundadas em estudos concretos que tenham em conta os produtos e técnicas mais recentes no tratamento de efluentes. Esperamos também um “período de requalificação ambiental” e apoios económicos para essa reconversão semelhantes aos que foram disponibilizados para a Indústria, num processo simplificado que reduza a burocracia actual no licenciamento ambiental das explorações.
Porque muito tem sido falado mas poucos passos foram dados, tomámos a iniciativa de realizar na próxima sexta-feira 19 de Julho pelas 14.00 horas, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um colóquio sobre a Instalação de Jovens Agricultores e a Resolução dos Problemas Ambientais das Explorações Pecuárias, convidando para o efeito técnicos credenciados nessa áreas e esperamos a participação de centenas de agricultores, maioritariamente jovens.
È um pequeno passo, numa perspectiva pedagógica, que esperamos ter continuidade noutras iniciativas da nossa Associação ou de outras organizações agrícolas, autarquias, associações ambientalistas, enfim, todos aqueles que estiverem dispostos a lutar por um desenvolvimento sustentado da nossa região, que garanta uma alimentação saudável das pessoas e a uma vida com qualidade no meio rural.
Vairão, 18 de Julho de 2002
A Direcção da AJADP
A região de Entre Douro e Minho tem sido excepção a esta regra, nomeadamente no sector da pecuária de leite, que sobreviveu porque se modernizou, através da combinação de fortes investimentos (em equipamentos, construções e melhoramentos fundiários) com melhorias nas técnicas de cultivo e criação de animais. Conseguiram-se assim aumentos de produtividade e qualidade, atingindo-se em muitas exploração níveis equivalentes aos países mais desenvolvidos da Europa que permitem a sobrevivência económica da nossa agricultura com níveis muito reduzidos de subsídios. São sobretudo explorações de agricultura familiar, de média dimensão, com gestão ou colaboração de jovens agricultores, nesse caso filhos dos proprietários.
Tal como noutras actividades económicas (indústria, serviços, Etc), a intensificação e o progresso registados na agricultura têm custos ambientais, nomeadamente a poluição das águas por nitratos e os maus cheiros das instalações pecuárias ou dos chorumes espalhados nos campos. Os agricultores, porque contactam directamente com esta realidade e dependem do meio ambiente para o seu trabalho, estão preocupados com esta situação.
Infelizmente, a agricultura tem servido muitas vezes como bode expiatório, sendo demagogicamente referida como a única origem da poluição das águas, esquecendo-se o saneamento que falta construir ou completar com as ETAR’s que mesmo depois de instaladas nem sempre funcionam. Junte-se a isto um ambientalismo bem intencionado mas pouco esclarecido – pois esquece que o meio rural só continuará vivo enquanto existirem agricultores – e temos criadas as condições para “expulsar” as explorações pecuárias das proximidades de todas as zonas habitadas.
Serão os campos abandonados, cheios de lixo, silvas e ratos, zonas de melhor qualidade ambiental?
Consciente da função social, económica e ambiental da agricultura, a AJADP está convicta que o desenvolvimento sustentado da nossa região passa pela manutenção de uma agricultura que equilibre a produção com o respeito pelo meio ambiente e o menor “incomodo” possível das vizinhanças.
Neste sentido, rejeitamos a aplicação cega de leis desactualizadas ou desenquadradas da nossa região que levará ao encerramento de milhares de explorações e exigimos regras fundadas em estudos concretos que tenham em conta os produtos e técnicas mais recentes no tratamento de efluentes. Esperamos também um “período de requalificação ambiental” e apoios económicos para essa reconversão semelhantes aos que foram disponibilizados para a Indústria, num processo simplificado que reduza a burocracia actual no licenciamento ambiental das explorações.
Porque muito tem sido falado mas poucos passos foram dados, tomámos a iniciativa de realizar na próxima sexta-feira 19 de Julho pelas 14.00 horas, no Auditório da Cooperativa Agrícola de Vila do Conde, um colóquio sobre a Instalação de Jovens Agricultores e a Resolução dos Problemas Ambientais das Explorações Pecuárias, convidando para o efeito técnicos credenciados nessa áreas e esperamos a participação de centenas de agricultores, maioritariamente jovens.
È um pequeno passo, numa perspectiva pedagógica, que esperamos ter continuidade noutras iniciativas da nossa Associação ou de outras organizações agrícolas, autarquias, associações ambientalistas, enfim, todos aqueles que estiverem dispostos a lutar por um desenvolvimento sustentado da nossa região, que garanta uma alimentação saudável das pessoas e a uma vida com qualidade no meio rural.
Vairão, 18 de Julho de 2002
A Direcção da AJADP